A psicanálise

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Psicanálise em São José e Florianópolis

A psicanálise é um método terapêutico criado por Sigmund Freud (1856-1939, neurologista austríaco) que consiste na interpretação por um psicanalista de conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo, com base nas associações livres e na transferência.

A psicanálise pode ser pensada de três formas:

  1. Ao tratamento conduzido de acordo com esse método;
  2. À disciplina fundada por Freud, que consiste em um sistema de pensamento e uma modalidade de transmissão de um suposto saber, que se apoia na transferência e permite formar praticantes do inconsciente;
  1. Ao movimento psicanalítico, ou seja, uma escola de pensamento que engloba as correntes do Freudismo. (ROUDINESCO, 1997, p. 603, adaptado).

Para explicar melhor sobre atendimento clínico, vou focar no item 2:

2: À disciplina fundada por Freud, que consiste em um sistema de pensamento e uma modalidade de transmissão de um suposto saber, que se apoia na transferência e permite formar praticantes do inconsciente.

Mas o que é um suposto saber?

O que é a transferência e para que serve o inconsciente?

Segundo Freud, “transferências” são: “reedições, reproduções das moções e fantasias (Regungen und phantasien) que, durante o avanço da análise, despertam-se e tornam-se conscientes, mas com a característica (própria do gênero) de substituir uma pessoa anterior pela pessoa do médico. ” (FREUD, 1996).

Para Lacan, o conceito de sujeito suposto saber (SSS) funciona como articulador do campo problemático derivado da transferência. Como afirma: “O sujeito suposto saber é, para nós, o eixo a partir do qual se articula tudo o que acontece com a transferência”. (LACAN, 1967) Lacan pretende formalizar de maneira unívoca a totalidade do domínio da transferência.

Sobre o inconsciente, na linguagem corrente, o termo é utilizado como adjetivo para designar o conjunto dos processos mentais que não são conscientemente pensados. Em psicanálise, o inconsciente é um lugar desconhecido pela consciência: uma “outra cena”. (ROUDINESCO, 1997, p. 375, adaptado). É um conjunto de processos mentais. Esses processos mentais não são conscientemente pensados, é um lugar desconhecido. 

Para que se conheça este lugar, ou seja, para a definição do aparelho psíquico, Freud cria duas tópicas. A primeira tópica (1900-1920) Freud distingue inconsciente, pré-consciente e consciente. “Trata-se de uma instância ou um sistema (Ics) constituído por conteúdos recalcados que escapam às outras instâncias, o pré-consciente e o consciente (Pcs-Cs). ” (ROUDINESCO, 1997, p. 375). No Pcs (pré-consciente) ficam os conteúdos que, apesar de não estarem presentes na consciência, continuam acessíveis a ela. No Cs (consciente) ficam as experiências em que podemos acessar, ao contrário do Ics (inconsciente), que é inacessível. 

Na segunda tópica (1920-1939), deixa de ser uma instância, passando a servir para qualificar o Id e, em grande parte, o Ego e o Super Ego. ” (ROUDINESCO, 1997, p. 375). A segunda tópica estabelece um novo marco na história da psicanálise com a proposição segundo a qual, no seio dos próprios processos psíquicos inconscientes, existe algo que embora absolutamente inconsciente escapa ao processo de recalcamento. As leis do processo primário, deslocamento e condensação, que caracterizam o modo de funcionamento dinâmico do inconsciente da primeira tópica, passam a caracterizar, doravante, as novas instâncias tópicas: isso, eu e supereu. Elas são partes integrantes do sistema inconsciente e, portanto, submetidas às suas leis. (BARATTO, G., AGUIAR, F., 2007).

Dessa forma, os trabalhos na clínica são pautados numa escuta do analista a partir do discurso do paciente , onde há somente uma regra para o paciente que é falar o que lhe vem à cabeça. É importante ressaltar que o profissional psicólogo deve realizar sua análise para dar conta das demandas dos sujeitos de forma ética.

Referências:

ROUDINESCO, E; PLON, M. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
FREUD S. A dinâmica da transferência. In: Salomão J, organizador. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago; 1996. p. 97- 108.
LACAN J. Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o psicanalista da Escola. In: Lacan J. Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar; 2003. p. 248-264
BARATTO, G., AGUIAR, F.: A psicologia do ego e a psicanálise freudiana: das diferenças teóricas fundamentais”. Rev. Filos., v. 19, n. 25, p. 307-331, jul./dez. 2000

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